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Joana D'arc

A VIRGEM DE LORENA

A DONZELA DE ORLEANS

A PADROEIRA DA FRANÇA

 Quando os altos dignitários do clero da época, que eram seus inquisidores, com o único objetivo de desmoralizar sua fé para justificar sua heresia, lhe perguntaram:

n      Você acredita estar em Estado de Graça?

Ela, com toda a sua simplicidade rústica e sinceridade de coração respondeu:

n      Se eu estiver que Deus me conserve assim; se eu não estiver que Deus me permita ficar.

Para entendermos a história de Joana D’Arc, precisamos compreender alguns aspectos que precederam sua aparição. Voltemos cerca de cem anos na história, quando o sistema feudal estava em voga, ou seja, os reis, sem condições de defender e governar todo seu território, distribuíam terras aos lordes de sua corte, para que estes levantassem cidades muradas, os chamados feudos, e defendessem, em nome do Rei, os domínios mais distantes, portanto, dentro destas muralhas havia tudo o que uma cidade poderia precisar, e, ao mesmo tempo, eram protegidas por todos os lados, por seus muros, visto que, naquela época, existiam muitos povos nômades saqueadores. Era também condição para que o Rei doasse tal território, que, quando a nação fosse ameaçada com uma guerra, todos os senhores feudais aliassem seus exércitos aos do Rei em defesa da coroa.

O que aconteceu por volta de 1337 entre França e Inglaterra foi que devido ao costume de realizar casamentos entre príncipes e herdeiros das duas nações, houve um momento em que na cadeia sucessiva do trono da França, haviam duas possibilidades hereditárias que possuíam a mesma legitimidade, uma inglesa e outra francesa, devido à morte dos Reis Luis X, Felipe V e Carlos IV que não tinha herdeiros diretos. Começou-se então campanhas entre os dois lados, que passaram a escaramuças, até chegar à guerra.

A partir daí,  os dois herdeiros se diziam reis da França e tomavam decisões sobre o destino do país em detrimento das ações do seu rival.

A guerra na Idade Média era diferente, com avanços muito lentos e localizada unicamente nas fronteiras, havia muita dificuldade em transpassar uma posição devido a dois fatores: a simplicidade das armas e as fortalezas de defesa.

Apesar de tudo isso, com o passar dos anos, foi se notando um avanço, pequeno mais crescente das forças inglesas em território francês, e dois eram os aspectos que determinavam tal supremacia inglesa: Primeiro; Conforme vão se passando os anos, mais próximos chegamos ao final do feudalismo, entrando para uma fase em que o sentimento de nação começa a amadurecer no coração do homem. Segundo; a Inglaterra por ser pequena, unida e muito organizada processou esta mudança patriota com mais rapidez e efetividade do que a enorme, dispersa e confusa França.

Devido à organização e união que os ingleses possuíam , muitos dos senhores feudais franceses, desapontados com o momento nebuloso que a França vivia, passaram a acreditar que seria mais conveniente que a Inglaterra reinasse em solo francês e passaram a lutar por isso.

Chegamos então à época de Joana. Vivia-se o momento mais frágil que a França passou durante toda a guerra, ou seja, nunca as forças inglesas estiveram tão avançadas em territórios franceses, inclusive, perigosamente próxima ao Delfim Carlos VII ( chamava-se Delfim o rei que ainda não fora sagrado pela Igreja como tal), Delfim este que era infantil e fraco, às vezes até covarde, defeitos que explicavam a passividade com que ele assistia a queda de suas posições e perda dos principais aliados franceses, exemplo do Conde de Borgonha, importante região francesa, que já era um forte inimigo.

(Casa onde nasceu Joana D'arc)

Joana D’Arc nasce em Domremy,cidade pobre e camponesa na região de Lorena em 6 de janeiro de 1412. Em meio a uma família que vivia da pecuária, seu pai Jacques D’arc tinha certo prestígio na cidade e junto com sua mãe Isabeau Romée eram considerados justos e honrados, possuía uma irmã Isabeau e três irmãos: Jacquemain, Jean e Pierre, toda a família era muito religiosa e freqüentava a igreja da cidade constantemente, Joana em si era muito religiosa e antes mesmo de entrar na puberdade teve seu primeiro contato com as vozes e imagens  que nunca mais a abandonaram. Segundo ela, quem lhe falava e aparecia eram, com mais freqüência, Santa Margarida, Santa Catarina e São Miguel. Inicialmente, as mensagens que recebia eram de cunho familiar, ou seja, orientavam-na a ser boa filha, boa irmã e boa amiga, mas ao passo que o tempo entre uma aparição e outra ia diminuindo, o teor das mensagens ia se modificando até que deixou claro a ela que, por ter sido escolhida por Deus para salvar a França, devia abandonar tudo e procurar o Delfim, com o objetivo de ajudá-lo a recuperar as posições francesas e reclamar a coroa definitivamente.

Devido à austeridade de seu pai, teve de usar de subterfúgios a fim de conseguir viajar a Vaucouleurs, espécie de capital da região de Lorena, dizia ao pai que ia passar uns dias na casa de um tio, e este, por acreditar na menina, fazia seu jogo.Teve que ir várias vezes a Vaucouleurs, usar toda a sua tenacidade e insistência, aliada a simplicidade e fé, até conseguir a permissão do Governador Robert de Baudricourt, pois este não acreditava que uma menina poderia mudar o rumo da guerra, já que muitos homens de exército, experientes e vividos na guerra, nada conseguiram. Até que ele percebeu que talvez esta poderia ser a última esperança e preocupado que estava com a inoperância do Delfim, resolveu permitir que a menina fizesse a viagem até Chinon, para onde o Rei havia fugido, e, para tanto, deu-lhe uma carta de recomendação, cavalos, uma armadura e alguns soldados.

É neste momento que Joana corta seu cabelo e começa a se vestir de soldado, somente por precaução, já que boa parte da viagem seria através de solo borguinhão, aliado da Inglaterra, se uma menina  fosse aprisionada ali as complicações seriam infinitamente maiores. Ao aproximar-se de Chinon, Joana mandou um mensageiro levar a carta de recomendação ao Delfim, afim de não perder muito tempo.

Chegando a cidade, procurou logo Carlos VII, e este sendo avisado que ela estava chegando quis colocar em prova seus poderes, trocando de lugar com outro, deixando que este sentasse ao trono, enquanto se misturava a  multidão da corte, se ela realmente tivesse sido enviada por Deus para salvar o país, saberia distinguir o rei de um qualquer. De fato, ao olhar para o trono Joana percebeu que não era o rei, apesar de nunca tê-lo visto, e depois ainda encontrou-o na multidão. Pediu para falar-lhe em particular e nesta conversa, revelou segredos que só o rei sabia, convencendo-o totalmente de sua missão divina. Entretanto o clero ainda precisava de provas e Joana foi levada a Poitiers onde foi minuciosamente examinada e nada a desabonou, certificaram-se    até de sua virgindade.

Os ingleses faziam cerco a cidade de Orleans, e se acreditava que derrubada esta última fortaleza nada mais restaria a França a não ser ceder, pois Carlos VII ficaria vulnerável demais. O irmão bastardo de Carlos VII era o comandante de Orleans e precisava de reforço e Joana junto com homens da guerra, soldados e mantimentos seguiram para lá.

É importante dizer agora que Merlim, antigo mago do Rei Artur havia previsto a guerra dos cem anos e mais ainda, dizia que a guerra seria definida em favor da França através de uma heroína da região de Lorena, a Virgem de Lorena, lenda que tomou corpo durante toda a guerra tanto no lado francês quanto  no lado inglês. A aparição desta donzela, nascida em Lorena, em meio a sua fé, coragem, e certeza  de vitória, baseada sempre em suas vozes, ao mesmo tempo que animava e encorajava os franceses, que outrora desanimados e resignados, não tinham nada que os unissem, também assustavam os ingleses que viam nela a personificação da antiga lenda, e na Idade Média as lendas eram encaradas de forma muito séria.

Enquanto os homens de guerra franceses, de cima de suas medalhas e condecorações, não deram ouvidos aos planos e ideais de Joana, nada deu certo, somente quando se renderam a sua tática de guerra, que era a mais simples possível, atacar com força sabendo que Deus está a favor e que conseguiu-se progredir, numa destas batalhas, porém, Joana foi ferida no peito, caiu e foi levada para a retaguarda, os ingleses ganharam moral com este fato, enquanto que os franceses temerários, começaram a recuar, pois já não viam sua salvadora com seu estandarte galopando entre as tropas com sua coragem e arrojo, será que a lenda era falsa? Percebendo isso, Joana arranca do peito a flecha, monta novamente em seu corcel e volta a liderar os franceses para a definitiva debandada inglesa.

Com o caminho aberto Joana conduz o Delfim à sua sagração na catedral de Reims, conforme a tradição francesa, depois da coroação, Joana pede ao Rei que este lhe forneça homens para tomar Paris das mãos dos ingleses, pois sua missão divina terminaria quando fosse recuperado todo o território francês. Mas o Rei lhe nega tal pedido e concorda que ela recupere algumas aldeias perto de Paris, dando-lhe um número reduzido de soldados. Na verdade, o Rei já havia feito um acordo com os borguinhões, onde eram dadas algumas regiões, inclusive Lorena, berço de Joana,  em troca de Paris, e ele não queria que Joana atacasse Paris e atrapalha-se o plano. Joana conseguiu recuperar as aldeias indicadas pelo Rei, mas ao invés de voltar, resolveu atacar a super protegida Paris, não obteve êxito nenhum e foi obrigada a voltar derrotada. Chegando a corte soube dos apelos que vinham das cidades francesas que o Rei havia entregado ao inimigo e que estavam sendo saqueadas e dizimadas. Cobrou atitudes de Carlos VII e este mandou que ela seguisse a cidade de Compienha para protegê-la e reduziu ainda mais sua tropa. Na verdade esta era uma armadilha que o Rei havia armado em conjunto com os borguinhões. Portanto, em meio à batalha, com os franceses em absoluta minoria, Joana foi capturada e aprisionada no Castelo do Duque  de Borgonha. Para Carlos VII Joana representava um risco à sua paz covarde, para o Conde de Borgonha ela representava  o tilintar do ouro dos ingleses, para o clero ela era a desconfortável pedra no sapato, pois podia falar com Deus sem intermediários e para a Inglaterra ela significava o clímax do ódio, mas para não se criar um mártir era necessário desonrá-la antes de matá-la  e escolheu-se rotulá-la do mais desonroso dos delitos da época, a heresia. Joana não tinha a quem recorrer, quem não desejava vê-la morta, também não se importava por sua vida. E foi assim que a Inglaterra comprou Joana e colocou-a nas mãos do clero para que este a transformasse em herege.

O Processo de Condenação de Joana transcorreu de 9 de janeiro a 30 de maio de 1431. Várias foram as formas de condução deste processo, tais como a ridicularização, objetivando diminuir a seriedade de suas vozes, por vezes até responsabilizando o demônio por elas; o terror, algemando-a, mostrando o palco pronto onde ela seria queimada, deixando que soldados a insultassem e tocassem a noite na sela; a crueldade, sabendo que ela tinha necessidade de se confessar, negaram-lhe tal direito e só ofereceram-lhe depois se ela consentisse em confessar que as vozes que ela ouvia eram frutos de sua imaginação, rasgaram-lhe o vestido de noite na sela e deixaram roupa de homem para vestir afim de incriminá-la  como bruxa e herege. Apesar de tudo, nada conseguiram provar, os ingleses já pressionavam demais, e o experiente bispo Pierre Cauchon consegue que Joana assine uma abjuração, ao mostrar-lhe que ela seria queimada viva e nem suas vozes, nem Carlos VII poderia salvá-la, apenas ela mesma. Prometeu a ela que não a acorrentaria mais, que ela iria comungar normalmente, e que seria reclusa em um convento. Esta abjuração  diz que suas vozes não têm origem divina e são frutos de sua imaginação. Cauchon dá prosseguimento ao processo e anuncia : “Como delinqüistes temerariamente contra Deus e a Santa Igreja...nós te condenamos, Joana, por sentença definitiva, a observar uma salutar penitência em prisão perpétua, ao pão da dor e à água da agonia, a fim de que aí chores pelo que fizestes, e não cometas a seguir nada mais por que tenhas de chorar, ressalvados sempre nossa graça e nosso poder de moderação.”

Ao ouvir tal sentença percebe que as promessas do bispo não seriam cumpridas, então desiste da abjuração. Por isto, é levada imediatamente à Praça do Mercado na cidade de Ruen e queimada viva. Antes porém, pede que alguém erga um crucifixo a altura dos olhos para que ele a conforte nesta hora de suplício, seria esta uma atitude de uma herege??

Diz-se que se ouviu até de soldados ingleses enquanto Joana ardia em chamas expressões do tipo “Estamos perdidos, queimamos uma santa”. O carrasco contou que apesar de todo o óleo, enxofre e combustível que tinha usado, não pudera reduzir a cinzas o seu coração. Jogara tudo o que restara dela no Rio Sena.

Após a sua morte Carlos VII se tornou um dos maiores reis que a França teve, reconquistou todo o território francês, e possibilitou novo julgamento a Joana, agora ouvindo testemunhas de defesa e com a imparcialidade presente, onde ela fora inocentada, este processo foi enviado à Universidade de Paris, onde ela foi reconhecida como heroína. Em 27 de janeiro de 1894, a igreja deu início à obra que devia recorrer do rescrito de Calixto III, como uma reparação mais alta: a Congregação dos Ritos submetia ao papa Leão XIII o decreto que intitulava Joana “Venerável”; em 18 de abril de 1909, Pio X a declarava “Bem-aventurada” e, finalmente, em 9 de maio de 1920, cerca de 500 anos após sua morte, Benedito XV a proclamava “Santa”.

  

BIBLIOGRAFIA

01-   JOANA D’ARC – JULES MICHELET – IMAGINÁRIO – POLIS.

02-   SANTA JOANA D’ARC  -  V. SACKVILLE – WEST – NOVA FRONTEIRA.

03-   JOANA D’ARC – RÉGINE PERNOUD/MARIE-VÉRONIQUE CLIN  -  EUROPA-AMÉRICA.

04-   PROBLEMA E MISTÉRIO DE JOANA D’ARC – JEAN GUITTON – DOMINUS.

05-   JOANA D’ARC PROCESSO DE CONDENAÇÃO – MEIRELLES TEIXEIRA – RIDEEL.

06-   JOANA D’ARC – LÉON DENIS – FEB.

07-   A HISTÓRIA DE JOANA D’ARC DITADA POR ELA MESMA – ERMANCE DUFAUX – CELD.

08-   JEANNE D’ARC – GABRIEL HANOTAUX.

09-   JEANNE D’ARC – P. DE BARANTE – PAYOT.

10-   JOANA D’ARC – ÉRICO VERÍSSIMO.

Prece do discernimento da justiça

Deus, nosso Pai, Santa Joana D'Arc foi condenada à morte, vítima de um processo iníqüo.
Velai, Senhor, por todos aqueles que, vítimas da parcialidade e de interesses escusos, são condenados injustamente.
Fazei-lhes, Senhor, justiça e tomai a sua causa.
Abri nossos olhos, nossa mente e nossos corações para que a ninguém julguemos injustamente ou, movidos por interesses mesquinhos, escondamos a verdade dos fatos e prejudiquemos nossos semelhantes.
Senhor Deus, vós sois justo e santo.
Ensinai-nos a prática da justiça para que tenhamos parte no vosso reino.